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Artimanhas do Diabo

Artimanhas do Diabo

Prinzessin

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Foste para longe
Escrevendo

Furiosamente
Consumindo as tuas gloriosas energias

Para acabar te encurralando
Na altiva muralha
Que se ergue
Por entre as planícies
Latejadas de oliveiras
Por onde pastam
As vagarosas ovelhas
Que soam os chocalhos
Quando esgaçam as finas ervas

Com seus dentes carcomidos
E de lá
Dessa fabulosa construção militar

Acudias

Em certos dias

A um dos seus inúmeros resguardos

E bradavas ao vento
Que não havia dia

Que não ouvisses a incondicional voz
Do tenor luso:
Tomaz Alcaide
Que veio ao mundo
Na tibieza de um frio dia
Que antecede os idos de Março.
De tanto escreveres
De tanto fumares
De tanto pensares
Pelas insensatas polémicas
Que eram a chama
Da tua alma inquieta
Acabaste os dias
Apoiada no fiel Sebastião
Esse indefetível cachorro
Que nunca te abandonou!
O que a glória te trouxe
De forma tão precoce e lasciva
Afinal
Amargurou-te tanto a existência
Que acabaste abatida
Pela ínclita inveja
Que é a epiderme
Que há séculos guarnece
A alma lusa!

 

EU SOU ELES

Foto.jpg

Voltei atrás

Acabei olhando

O venatório passado

Ao espelho

Que regozija

Quando eu pego em armas

Para o deslindar

E manter bem atual;

Esses sons  

Que perpassam pelos meus ouvidos

Estiveram

Tantos anos

Tantos alvores

Tantas noites

Infindáveis

Inertes e esquecidos;

Há muito que os não ouvia

Soletrando

A sussurrar o nome dos rapazes

Que só o tempo de uma inocência

Bem adolescente

Datada

Bem longínqua  

Eram capazes de passar incólumes

A maldades

Que obedecem ao tremor

Do reino pavoroso da alcunha!  

Mas eis

Que eu descobri

Sentado à mesa

Que faço também parte

Daquele coletivo

Que cresceu livre e inspirado

E

Por mais voltas que tenha cogitado

Acabando por empreender

Verdadeiramente

Nunca saí daquele pequeno núcleo de Amigos!

SENHOR LUÍS

 

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O silêncio

Em si  

Era como a moldura de um quadro

 Dando-lhe a espessura

Para que cintilasse a sua crença

Num mundo melhor

Partiu

Sem se despedir

De todos os que amava

Em jeito de breve  

Mas esdrúxula suspensão

Parou o seu coração

Naquela tarde abafada

Caiu suave para os braços

De quem sempre os tinha abertos

Palpitante 

Que foi ficando cada vez mais flácido  

Cheio de pressa em se acomodar

Para tocar adiante

As infinitas paixões da sua vida

Seus entes mais queridos;

Partiu para a muralha

Onde o silêncio impera e é rei

Para dali banir as diatribes

Sufragando a bondade

Fazendo-a proclamação:

A única que salvará este Mundo…

Descansa agora

A flutuar nas desmedidas orações

Rodeado de nuvens

A latejar de crianças

Que todos os dias enchem os meus ouvidos de alegria

Que hoje são homens

E lá atrás

A sua simples presença

Acalmava-os sem vacilar;

Até as pegas a esvoaçar nas cercanias

O visitavam para confessar os seus desvarios

E você  

Envolto na sua boina

No seu cajado

Que o guiava

No caminho refrescante

Onde sempre esteve  

Na imensidão do silêncio

Que construiu!     

 

Tão perto tão longe

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Quero ser

Sentir

Ajudar

Os cidadãos do meu país  

Na primeira linha estarei

Para ajudar os mais pobres

Os mais esquecidos

Os mais vilipendiados

Aqueles que recusam deixar as terras

Que foram dos antepassados

Longe do oceano que refresca a nossa costa

Para que tenham uma vida melhor!”

Promessas ocas

Afirmando

Que defenderão o modo de vida ancestral das gentes do interior

Que se multiplicam quando se aproxima o evento da democracia:

O voto!

Outros há

Que se afanam em publicitar  

Ajudas

A velha e famosa caridadezinha

Limitada a uma viatura com uns sacos

Para distribuir aos bravos bombeiros;

No fundo

A Lisboa

Que ao “cheiro desta canela o reino nos despovoa”   

Continua a ocupar as preocupações desta gente

Que se transformam

Em “Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda

Morgado da Agra de Freima

Uma vez eleitos para a casa da nossa democracia;

Até um evento

Dito

Mundial

Dos jovens católicos

Serviu para o autarca se promover

No seu elevado entendimento de grandeza

Achou que deveria ter sido gasto mais dinheiro,

O que vemos agora?

Um Estado falido e completamente desorganizado

Governado por gente que não o conhece na sua essência:

Sem saber as preocupações dos humildes povos do interior

Sem ver a gritante falta de meios dos bombeiros

Ignorando a inqualificável falta de governo na Saúde,

Mas há uma autarquia

De Lisboa

Que não olhou a meios para construir um palco

Que agora jaz abandonado no meio do nada!

Estais perto

Sim pertíssimo

Mas longe

Longíssimo

Do que as pessoas precisam;

Quem se apruma em festa ir

E não vê as formigas entregues a si próprias 

Toldadas pelo desespero

Sem meios para combater o inferno em chamas

Deveria logo ser rotundamente

Obrigado a partir,

Essa gente conhece a palavra empatia

Mas não a pratica

dizem-na apenas,

mas conhecer

conhecem

E praticam-no desmesuradamente  

É o logro

Mas repetem ad nauseam:

Estamos sempre perto das pessoas

Mas tão longe

Tão atrozmente longe

Cada vez mais longe

Digo eu!

 

 

 

 

ROSA DE SANTA TERESINHA

 

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Acolhedor mar

Que tempera a minha alma

Sentida presença

A tua

De finos traços

Que cresce envolvente   

Num qualquer fim de tarde

A espreitar o sol a pôr-se

E lá longe

Parece

Todavia

Ouvir-se uma voz que apregoa:

-Bolas de Berlim!

Da tua voz suave  

Irradia a esperança

Que leio nas tuas mãos de veludo

Onde fixas com ardor

O abraço

Que sempre surge acompanhado

De uma descomunal força

Que parece fazer esquecer os males do mundo;

Eis-me na tua frente

Cambaleando de paixão

Bebendo a água que recrudesce

A cada instante

Dentro de ti

Sem que o medo se silencie  

Pelos ínvios caminhos dos ditames da desconfiança

Para desejar-te e ter-te

Ó envolvente imensidão

Comigo a meu lado

A ver o mar

Abrindo as narinas

Para expulsar o ar acumulado dos pulmões

De todos os fracassos de um passado

Rejuvenescendo com o entusiasmo que

Em ti

Brota como água de nascente

A testemunhar o voo oscilante de bandos de gaivotas

Que

Temerárias

Se lançam às águas frias do mar

Em busca do alimento;

Acolho-me no teu infinito abraço

Que tão forte

Me atravessa o coração

E me guia até ao escuro céu

Que um dia me fará companhia

Para luzir a ventura eterna

Nas noites estreladas;

Mas

Quando avisto uma rosa de Santa Teresinha

Vejo a tua cara

Sinto o teu cheiro

Que me inebria

A tua presença que me extasia!

 

 

 

Sol e Mar

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"O sol domina no mar, e principalmente na terra; a lua domina na terra, e principalmente no mar: e estes são os dois elementos em que vivem e negociam a vida os homens." Padre Antório Vieira.

 

O sol

Exangue

Crismado no seu apogeu diário

Que chega a ser brutal no seu empenhamento
Mas há dias assim

Em que não consegue resplandecer

Torna-se animal de sangue-frio 
E parece hibernar    

Trazendo os piratas até à praia
A aguardar na areia húmida
Que o mar volte

Outra vez

A ser azul
E não um verde que se entranha 
Que se confunde
Com a neblina que inunda as redondezas!
O mar
Fervilha de emoção
Germina vaidades
Mais ou menos fúteis
A quem escreve na areia
Frases palavrosas
Que se assumem profundas
Mas que acabam ténues
Pois o mar
Vai e vem

Até à areia onde se exibem os vocábulos
Apagando-os
Desse caderno feito de milhares de grãos de areia
Que parecem acercar-se do infinito
Mas não passarão
De um medroso finito
Sem se assomar
Aos castelos que
Ao longe

Vigiam a paisagem

Trazendo-nos paixões ardentes

Dos odores doces da praia

Do leve toque com os pés bem assentes

Das caminhadas sem fim

A percorrer a areia molhada

Com o mar como testemunha

Para nos lembrar

Todos os verões da nossa vida

A tecer

Recordações

Que nos aprisionam ao passado

Vigiando a paisagem
Recordações

Que não acabam jamais!

LIBERDADE

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Quem pode?

Querer definir os limites e termos da liberdade

Quando vivemos na ânsia de acordar

Com as liberdades coartadas?

 

Uma leve brisa se anuncia

Ao de leve e miudinha

Arrastando as searas

Espalhando as sementas

Para gáudio das aves

Fazendo balançar esse mar de trigo

Nas ondas que se espalmam

Nas planícies

 

De repente

Ouço breves queixumes

Avisto uma dança de pó de uma aridez ácidas 

Intuo que é o suor dos desejos desta terra

Que se enleva

No meio do calor abrasador

 

Eis que

Do nada

Avisto a Soror Mariana

De olhos lacrimejados

A encerrar esse mistério que é a paixão

E do general francês

Que de pompa se acercava ao convento

Nem sombras da sua presença

Mas foi assim

Que para a história

Se escreveram as mais belas palavras de uma paixão

Escritas pela mão

Ou pelo engenho

De quem quis esconder a sua alma dorida

Depositando a sua paixão

Nas ditosas palavras de uma religiosa!

 

Mas nesta terra já não vislumbro

A Ti Maria Esmeralda

O Ti Zé Fulgêncio

O Compadre ou a comadre

Que eram como uma família para mim

Agora são homens de cútis escuras

Vasta barba cerrada

Olhos pretos luzidios

Que entoam sons musicais

Que é assim que parecem entender-se

 

Mas os campos

As searas

Apesar de já não serem sulcadas pelos nativos

Continuam a sê-lo

Pelos novos homens vindos das terras

Onde Camões e Fernão Mendes Pinto

Se multiplicaram a narrar as suas façanhas!

 

Um dia far-se-á justiça

Os mouros

Outrora

Expulsos do território

Parecem ter voltado

Munidos com o seu sebastianismo

E uma assaz fé

Que

Desde tempos imemoriais

Sempre pareceu mover montanhas!

POR FIM A A REPOUSAR

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Enquanto percorro a ladeira e vou no encalço 
Triste e a reviver
Esses teus olhos lacrimejados

Que

As novas que me foram chegando

 Se foram cerrando sucessivamente

Até que se bloquearam em definitivo

Dou-me conta que
A voz que se foi enfraquecendo
O apetite que se foi esfumando
A saliva que se foi perdendo

Os dentes periclitantes
E cada vez mais oscilantes
Já não mordiscavam o pão
E até já não mostravam
Esse teu, outrora, sorriso aberto e franco
Que tanto enchia os corações das pessoas
A indisposição que acabou sobrepondo-se

Em permanência
A minar o teu débil entusiasmo  

A água, outrora, tão apetecida

Queimava as tuas entranhas
O teu estômago descera até aos infernos
E começaste a passar os dias
A desejar viver
Mas fixo na ideia
De idealizar o mundo quanto partisses:
E foi numa dessas deslocações até ao teu interior mais profundo

Que voltastes a olhar o rio da tua infância
Admirar a pureza das suas águas
Onde tantas vezes te banhastes
Gritaste, riste de sorriso aberto
Te silenciaste envolto na suas águas  
A tentar capturar um peixe
E sempre
Sobretudo nestes últimos tempos
Te advinha à memória
Aquela narrativa do padre que

Uma e outra vez
Narrava o episódio

Da moça enraivecida
Que vingando-se do consorte fugidio
Se lançou pelos pedregulhos
Até que
Desfeita e defunta
Embateu nas águas esbranquiçadas
Nos funestos rápidos do rio
E desapareceu ...
Mas tu

Já sem a paz no corpo
Continuaste a olhar ao espelho
E foste dando conta que os ossos
Enrijeceram-se e colaram-se às peles do teu rosto
Eras agora um empedernido busto
Que os de fora já não conheciam
De repente,
Os teus olhos encerraram-se em definitivo
Batia, ao de leve,  ainda, o teu já fraco coração
Que ainda te irrigava o cérebro
E era assim nesse tremor provocado pelos químicos
Que adormecias profundamente
E sonhavas muito
Não querias saber do presente
Olhavas apenas para o passado
Quando o mundo para ti
Era a pacata vila
Para ti enorme
Que mira altaneira
Para o rio lá longe
Como se fosse uma língua de prata
Ladeada por entre montes e vales...
Por fim repousastes
Na terra que te viu nascer
À sombra de uma velha arvore
Que será agora a tua companhia eterna
Até que o pó te leve
Até à morada
Onde todos temos um lugar!

 

...

Ah...

Pudesse eu ter-te

Entretida na concha da minha mão 

Dançando ao ritmo lento 

Das doces minhas palavras

Obstinada em ter-me

E eu

Copiosamente deleitado

Em ter-te

Levar-te a cheirar as tílias 

Que desabrocham

Nestes finados tempos primaveris

Enxameadas por laboriosas abelhas 

Que zumbem por cima dos nossos ouvidos

Mostrar-te o rio que corre apertado

Serpenteando 

As imponentes montanhas

Que parecem edificadas pelos deuses 

Que deambulam entre nós 

Em dias solarengos

E cintilantes 

Como hoje

Debaixo de um olhar mais profundo 

Sobre a condição humana!

Mas o verde maioritário 

Interrompido

Aqui e ali 

Pela coloração das maias

Lembra-me

Que nem na natureza há unanimidade 

Mas no amor 

Neste nosso Amor

Tudo é verde

Tudo é manifesto 

Tudo é paixão!

 

 

MÃE


Ontem eras enorme
Venerada
Escondias a minha timidez
Como um velho carvalho
Que abriga as aves
Que descansam ao remanso
Depois
Passaste a ser meu colo
Nas agruras da vida
Enrugaste
Silenciaste-te
Até que numa manhã
Partiste cansada de lutar
Só para estar
Vigilante e terna
Com a tua querida prole...
Hoje
És uma luz cintilante
Uma estrela
Presente

De cada vez que te evoco!

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