Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Artimanhas do Diabo

Artimanhas do Diabo

AINDA HÁ ESPERANÇA

 

gettyimages-1262251328-612x612.jpg

 

Chamo por ti

Tantas e tantas vezes

No meio deste silêncio em que me deixastes

Em que até o sopro monumental

Do canto dos belíssimos rouxinóis

Me é indiferente

Porque secaste as minhas entranhas

E já não consigo sequer chorar

Apenas clamo

Pela paz imensa e senhorial

Com que sempre te posicionaste

Em todos os cantos por onde andaste

Na imensidão das sombras

Que transportas dentro de ti

E que jamais te deixarão…

Vislumbro esse teu olhar embevecido

No brilho dos teus olhos

Que se tornavam suaves levadas das águas de um rio

Puras e cristalinas

Sempre que erguias os feitos

Que

Cada um à sua maneira

Foram as jovens promessas de casa construindo ao longo das suas vidas

Não sei se me ouves

Se algum dia me ouvirás

Desde aquela manhã em que te comunicaram

Que todos os sonhos dos pais

E do próprio

Se despedaçaram numa ignóbil manobra

Sem sentido

E que roubou a tua alegria

Destruiu as amarras da esperança

Mas

A esperança existe

Sempre haverá de existir

Dentro de ti ou fora de ti

Porque todos estamos a suplicar por ti

E por ele

Esse rapaz cheio de força

Que há de voltar a ser quem sempre foi

Onde reside a bondade

E a bondade foi sempre mais forte

E a sua força celestial sempre vencerá

Tem de vencer

Porque haverá sempre uma luz misteriosa

Que empurra as andorinhas a voar

Todos os anos

Do sul para norte

E do norte para sul

E é essa força que ele e tu vão encontrar

Para passar o Cabo das Tormentas

E um dia lá estará ele

Com uma bola colada ao pé

Um sorriso nos lábios

A celebrar um golo!

A um Amigo que vive horas de despero, mas, estou certo, encontrará o seu caminho cehio de luz!

AGNES

flor-de-peonia-em-folhas-verdes-contra-fundo-de-pe

Por mais que me atreva a percorrer

Os mesmos caminhos em que te aventuras

A trilhar a uma velocidade estonteante

Nas trincheiras com te deparas  

No rumo traçado por uma jovem e promissora vida

Nunca ousarei alcançar-te,

Tu tens o firmamento todo

À tua voz e desejo 

Que coexiste na escuridão que todos os dias nos cerca

E que a tantos inspira

Imenso

Incomensurável

Indestrutível

Mas tão distante a tantos

Que nunca saberão interpretar 

As suas mensagens e os seus mistérios!

Como poderei atrever-me

A alcançar uma estrela cadente

Assim tão jovem

Como aquela que tu simbolizas  

Tão pujante

Com uma inteligência intensa e fulgurante  

Tão ingénua

Como convém a uma beleza como a tua

Avassaladora

Possuída pela ilusão de uma vida

Que se entrelaça nos seus próprios ideais

Que guarda religiosamente só para si

Que não se abate

Nem esmorece

E que todas as noites cintila sem cessar!

Celebras um dia especial 

Um dia em que

Simbolicamente

Poderás

Fazer as escolhas que ousares fazer:

Gostando ou não do que fazes

Do que te fazem

Ou do que não te fazem

E que gostarias que te fizessem,

Neste dia especialmente

Exibes-te radiante

Orgulhosa e galante

Escutando palavras elogiosas

Captando imagens   

Que ficarão deste dia

Que

Mais tarde

Tantas recordações

Romperão pelo teu aconchego

Deslizando gotas que rolarão pela tua face

Cada uma delas a evocar

Os mais próximos

Que partiram para o infinito!

AINDA HÁ MISTÉRIOS

arvores-amarelas-de-baixo-angulo-na-floresta-em-fu

E tudo começou

Num simples final de tarde quente

Embalada pelo espírito veraneio

Uma ave canora

Companheira de tantos e tantos momentos de vida

Escapuliu-se

Ao de leve

A saltitar

A esvoaçar timidamente

Da gaiola

E que quase acabou chocando com a minha sombra

Engalanada pela saudade de tantos e tantos dias,

Recolhi-a e voltei a coloca-la no único lugar que ela conhecia

A avezita assustada e exausta

Quis apenas vislumbrar como era o mundo desde fora

Por simples curiosidade e para espairecer a sua candura  

Depois

Bem

Depois foram os esquecimentos

As palavras cada vez mais que não se perfilavam

E se mostravam tão difíceis de pronunciar   

E que já não acompanhavam os seus próprios pensamentos  

E que, apenas, saiam a conta-gotas

Até que aconteceu a queda fatal

E que preanunciava os breves instantes de vida que se lhe iriam seguir,

Uma longa vida dedicada em exclusivo aos seus

Por onde procurou viver todos os dias de baixo de um entusiasmo tão marcante

Que era impossível não ser tocado pela sua luz

Sempre dedicado a todos os que ousou conhecer

E eram tantos

Amigos e amigos que foi conhecendo ao longo da sua longa vida

Porém, já nada havia a fazer

Os seus dias foram passados

Ora sentada

Ora acamada

Numa letargia profunda

Nada condizente com a sua vivacidade e alegria de vida!

Os seus olhos azuis

Intensos e perscrutadores

Permanecerem dias e dias encerrados

Sob as suas pálpebras integralmente fechadas e que pareciam coladas  

Enfiados nesse sono profundo que antecede a partida

Até que esse dia

Que tantas e tantas vezes tão abjetamente previsível

Se anunciou

Numa manhã sonolenta e cinzenta

A culminar esse seu desejo

Tantas e tantas vezes sobredito

Balbuciado

A rogar que sua senhora mãe a levasse para junto dela…

A terra que testemunhou o seu nascimento

As suas primeiras travessuras

As suas aventuras

O seu esgueirar por esse olhar cintilante

Azul

Muito azul

E sempre atencioso

De largo espetro

Que era sempre um balsamo a todos os que eram bafejados

Por esse sorriso inerte de pura inocência

Acabou a engolir esse seu corpo enrugado

Carcomido pela dor e cansaço  

Para ali permanecer

Nesse eterno descanso

Engalanado pela cidade que lhe deu a vida

Ao lado das velhas árvores que encimam as encostas   

Que guardam os segredos do velho castelo

Pululado de lendas atormentadas

Que vão passando de geração em geração

E que são como os pequenos seixos no meio da terra

Que dificultam o trabalho dos coveiros

E que parecem trazer os mistérios das profundezas

Dessa terra onde reina o silêncio e as trevas  

Que tanto nos equacionam nestes parcos dias passados

A tentar viver toda a vida possível

Como ela sempre quis viver

À sua maneira

Claro!

I'm in Love with a German Film Star

gettyimages-181151991-612x612.jpg

A música de pura melodia

Inicia-se

Soando uns acordes de uma guitarra

que me imobiliza, 

De cada vez que a escuto

Paro no presente  

E regresso saudoso ao passado;

À medida que os instrumentos casam e se entrelaçam 

Com a voz melodiosa da cantora

Fico em sentido

Ereto

Obsessivamente atento

Carregado de audácia

Pronto para desfrutar

Da glamorosa estrela de cinema alemã

Que com a sua voz

Anasalada me entra tão facilmente

Que acaba me penetrando até às entranhas  

Pois parece saída de um oceano cintilante

De noite de lua cheia

A evocar as ninfas

Por isso

Me inebria

Me comove

Me converte

Me desafia

A paixão ardente

Que trago dentro de mim

Que se expressa numa voz cadente

Que existe apenas dentro de mim

E foi ela que sempre me foi guiando no caminho

Até ao bar

Onde a estrela de cinema alemã

Posa todo o seu glamour

E é aí que

Olho no espelho e vejo a minha própria silhueta

E analiso os verdes olhos

Que

Por uma qualquer razão 

Se formaram em mim

E que são esse desejo eterno

De voltar ao passado

Mas viver bem o presente

Pois a terra acabará cobrindo

As glórias e as derrotas

Que transporto desde o primeiro dia

Nessa busca de encontrar o equilíbrio

Que

Sempre que ouço o

I'm in Love with a German Film Star

Sempre me puxa para cima

Até me enlevar!

 

I'm in Love with a German Film Star, título de uma música do grupo The Passions, banda britânica de pós-punk/new wave formada em 1978 e dissolvida em 1983. 

 

MULHER

IMG-20240307-WA0007.jpg

 

Não pude mirar-te

Como eu gostaria de o fazer

Apenas me cingi a um ténue movimento

Do meu pescoço com pertinente circunspeção  

Tentando, de soslaio, penetrar nessa tua alma cansada

E é no regaço

Onde se espraiam com denodado deleite

As tuas finas mãos

Que

Paulatinamente vão humedecendo

Finas gotículas de orvalho

Lá onde medram os pequenos besouros

As solitárias salamandras

Aqueles seres invisuais que captam todos os sentidos;   

E eu

Apesar de olhos bem abertos

Levitando nas tuas sombras

Deslizando na suavidade dos teus desejos

Interrompo a marcha   

Sorvo uma a uma das tuas gotas

Que me são servidas pelos teus finos dedos

Para acabar por colher um pequeno ramo revigorado de três rosas

Tantas as que deste à luz

De cheiro adocicado

Com abelhas esvoaçantes por perto

As flores que sempre adoraste

As que louvaste na alegria da tua vida

E mesmo

Quando rodeada de ervas daninhas

Que viviam atulhadas à tua volta

Conservaste na tua intimidade os teus maiores prazeres

Mas as rosas

Que sempre adoraste

De ciclo em ciclo

Todas as primaveras

Sempre rebentam e dão-se à exaltação: viçosas e carregadas de esperança!

Por entre as madeixas que caem da tua cabeça

Como cachos de glicínias que tombam da extensa ramada

Que nos dias mais quentes

Bem refrescam

As almas dos crentes

A força das convicções dos gentios

E ali ficas

Infinitamente

A relembrar os sorrisos de criança

Os primeiros amores

Tão insipientes como passageiros

As subidas às árvores

Para avistar mais além o mundo

Até que te recolheste aos silêncios

Para fugires às tristezas que acabaram por te tolher anos e anos a fio…

Mas, acabaste por semear o teu maior desejo

E acabou por florir, florir, florir

Só para ti! 

 

DÁ-ME UM ABRACINHO

istockphoto-169087153-612x612.jpg

Nos olhos

Azuis

Que espelham o fundo da tua alma

Jactantes diamantes

A cintilar

Em radiosos dias solarengos

Brilhando como a estrela única

Que nos guia o norte,

O olhar

Antes vivo e resplandecente

Surge agora como mar fustigado por uma tempestade tropical

O teu corpo

Já não obedece aos ditames do teu bravo querer

Queres, mas já não podes

Pois esses braços fustigados

Nos últimos anos

Por perfurações minúsculas de seringas

Custam enormidades moverem-se  

Mesmo que seja para içar um simples copo,

As tuas pernas

Movem-se pesarosas e lentas

À custa da voz que a teu lado

Te vai estimulando

Como sempre o foram para ti na vida

Para te dar o alento necessário

A ultrapassar todas as dificuldades

Porém, já não respondes ao que te pedem

Já não ris

Nem choras

Ao que te comove

Apenas te interpelas

Com um ar de adormecimento

Como se fosses um sonâmbulo,

De súbito,  

Ergues a cabeça para indagar num tom suave:  

- Eu já morri, não foi?

E quando a teu lado

O desespero se transformou em impotência

Dos teus lábios

Sempre austeros e destituídos de palavras e de sentimentos

Volta a ecoar uma frase  

Tão comovente como intrigante:

- Dá-me um abracinho!

 

 

 

 

  

O MEU PÁSSARO AZUL

closeup-tiro-de-um-gaio-azul-empoleirado-em-um-gal

Pássaro Azul

 

tenho um pássaro azul no meu coração que
quer sair
mas sou demasiado forte para ele,
digo-lhe, fica aí dentro, não vou
deixar que ninguém
te veja.
tenho um pássaro azul no meu coração que
quer sair
mas despejo-lhe whiskey em cima e inalo
o fumo dos cigarros
e as prostitutas e os baristas
e os caixeiros das mercearias
não suspeitam sequer que
ele está
ali dentro.

tenho um pássaro azul no meu coração que
quer sair
mas sou demasiado forte para ele,
digo-lhe,
fica no teu lugar, queres dar cabo
de mim?
queres mandar pelos ares todo o meu
trabalho?
queres estourar com a venda do meu livro na
Europa?
tenho um pássaro azul no meu coração que
quer sair
mas sou muito mais esperto, só o deixo sair
à noite de vez em vez
enquanto toda a gente dorme.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso, não fiques
triste.
depois meto-o de volta,
mas põe-se a cantarolar um bocadinho
lá dentro, não o deixei propriamente
morrer
e nós dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e ele é tão gracioso ao ponto de
pôr um homem
a chorar, mas eu não
choro, tu
sim?

Charles Bukowsk

 

 

Este pássaro

Azul

Também vive no meu peito

E vive aí

Desde o dia em que abri a página de um livro

E vi estampado na primeira folha

O poema;

Já não recordo onde me encontrava naquele momento

Em que me passou o Pássaro Azul pelos meus olhos

Nem quais as inquietações que me assolavam

Naquele momento

Seguramente que não as de hoje

Poema efervescente

Intrigante e profundo

Parece lava incandescente

E parece ter sido escrevinhado

Entre umas cervejas

Uns drinques

Uns bourbons

Uns Whiskys

Cigarros e cigarros

Intermináveis

Naquele ambiente pesado

Em que a conversa

São gritos entrecortados  

Pelos exageros do álcool…

E de cada vez

Que me fixo sobre o ecrã

E vislumbro uma página em branco

É quando

Uma e outra vez

De supetão

Se solta

O pássaro azul do meu peito!

 

 

TERRA

campos-de-terra-preta-linda-na-ucrania-paisagem-ru

 

No silêncio

Que é ali

Naquele recanto mais lobregue

Onde os deuses alinhavam os seus pensamentos

Vem-me à memória a fraqueza da tua idade

Que se enrola

Como a muleta à espada

No centro da praça de toiros

O matador que se atiça à besta negra

E eis que avisto

Suavemente

A demência que não se esconde já…

Por entre a fúria de um vento forte

Que vem sempre como um último fôlego de final de inverno

Acompanhada por furiosas bátegas que nos atemorizam

Sei sempre que as tuas mãos não se cansam de me afagar

As tuas palavras

Sinetas doteis que me fazem iluminar a esperança

O teu odor que me enche de amargura

Quando não estás presente

Os teus olhos

Que cintilam

Como os fios bordados a oiro

No fato do matador numa tarde solarenga

E eu

Semeando a planície

Colhendo os furtivos pinhões

Por baixo dos pinheiros mansos

Cheirando essa tua terra

E por onde evoco sempre

O dia em que misturar-me-ei na tua essência

E onde o vento

Ao de leve

De mansinho

Soprará o meu corpo moído em pó

Para alcançar as altivas árvores

Que ladeiam o castelo

Que se ergue

Sem vergonha

No meio de um extenso bosque…

Mas um dia também

Chamar-me-ei terra apenas!

ARTUR JORGE

Artur-Jorge.webp

Por onde andará

Essa áurea misteriosa

Que até chegou a ser nomeado com título régio?

Nesse farto bigode

Carregado

Negro  

Lutuoso  

Esponjoso 

Opulento

De gestos e olhares  

Onde imperava a elegância de um gentleman,

Dominavas

Como ninguém a arte da palavra

Ensinaste gerações de treinadores

A dizer e a fazer:

- Coisas bonitas…

Mas há muito que esvoaçaste

Voando em solitário no céu azul de verão

Para uma dimensão apoteótica 

Onde levitam as almas sensíveis

Os espíritos inquietos

Os cultores da estética

Que observam as cores e as formas de uma bela pintura

Mas em ti sobressaia a estrutura de quem adora planar livremente

Nas longas e fortes asas de um condor

Que observa em caleidoscópio

Cada um dos quadrados pululados de erva

Tão comuns nas ilhas açorianas

Mas a terra, a tua terra onde vieste ao mundo,

Esteve presente sempre em ti

Naquela vida austera, de monge, que levavas

E nos silêncios a que te vetaste

No último terço da tua vida

E tinhas tanto para dizer

Para escrever

Como esse teu “Vértice de Água”  

Mas, de repente,

Silenciaste-te

Uma vez mais

Para acabares por fazer viver

As coisas bonitas da vida!

Paz a essa alma tão iluminada

Prolixa e profunda

E é pois, também por ti,

Que consagro a minha vida à escrita

Sempre rodeado de livros

E de imensas palavras que estalam na minha cabeça

E como tu

A ocupar o meu canto anonimamente

Para tentar fazer

Coisas bonitas

Também!

 

A TUA VOZ

river-219972_1280.jpg

A tua voz

Não me é estranha

Como se alguma vez o pudesse ser?

Ouço-te desde o dia em que abri os olhos

Respirei profundamente

E vi a tua silhueta

Que empubescia no interior da minha memória

Cravada na garupa do cavalo

Montado pela bela amazona de cabelos longos tisnados; 

Essa tua voz

Que é a minha também

Leva no regaço os nossos desejos mais ternos:

Um fogo incessante que se ateia glorioso

Água que jorra

No prazer irrepetível de um grito

E lá bem dentro do que mais fundo nos une

Guardamos as sombras interiores

Que, por vezes, tantos nos inquietam

Para que o mundo caminhe depressa;

Um rio que se destapa

E na encruzilhada de uma ilhota

Acaba separando-se em dois longos braços

Afanoso e rebelde  

Que, atrevido, deixa fluir

A força das suas águas

Onde cada pequeno leito

Brilha na jactante correnteza  

Seguindo a sua marcha

E é quando mais à frente

As águas do mesmo rio se voltam a encontrar e a abraçar

Águas que correm desde o berço

E eu volto a escutar as nossas vozes…

As nossas vozes são romarias

Que bailam no calor de uma noite de verão

As nossas vozes

São a harmonia silenciosa das nuvens 

As nossas vozes

As nossas vozes

São o vigor que alimenta o nosso ser

E não se destapam pela sua singularidade

Antes, envolvem os nossos ossos

Recobertos de pequenas falhas

Que vituperam a nossa carne 

Na malsã corredura de uns tantos

Que se escapulem sempre

Para uma inenarrável estreiteza de vistas

Para enganar as suas vidas

De mais um pachorrento dia!

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub