Prinzessin

Foste para longe
Escrevendo
Furiosamente
Consumindo as tuas gloriosas energias
Para acabar te encurralando
Na altiva muralha
Que se ergue
Por entre as planícies
Latejadas de oliveiras
Por onde pastam
As vagarosas ovelhas
Que soam os chocalhos
Quando esgaçam as finas ervas
Com seus dentes carcomidos
E de lá
Dessa fabulosa construção militar
Acudias
Em certos dias
A um dos seus inúmeros resguardos
E bradavas ao vento
Que não havia dia
Que não ouvisses a incondicional voz
Do tenor luso:
Tomaz Alcaide
Que veio ao mundo
Na tibieza de um frio dia
Que antecede os idos de Março.
De tanto escreveres
De tanto fumares
De tanto pensares
Pelas insensatas polémicas
Que eram a chama
Da tua alma inquieta
Acabaste os dias
Apoiada no fiel Sebastião
Esse indefetível cachorro
Que nunca te abandonou!
O que a glória te trouxe
De forma tão precoce e lasciva
Afinal
Amargurou-te tanto a existência
Que acabaste abatida
Pela ínclita inveja
Que é a epiderme
Que há séculos guarnece
A alma lusa!