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Artimanhas do Diabo

Artimanhas do Diabo

POEMA A DUAS MÃOS

Belmonte 4.jpg

Entristece-me vê-lo

Nessa senda culposa

Só porque entende

Que o amor se aprisiona

Capturando a alma

Da sua consorte

Na hora em que se assumem votos  

De amor eterno!

Vai-te peçonha

Maldosa

Insipiente

E tão perigosa

Segura de si

Inabalável

Nesse mundo dual

De que eu sou tua  

Para sempre!

Fui desejada

E tive a ousadia de desejar

A quem não firmei votos

De amor eterno contigo

E tu

Nessa tua ancestralidade enfadonha

Decretaste:

Pecado capital!

Não entendes

Que tu queres-me

Como sempre quiseste

Para me silenciar

E dar voz a essa tua cobardia

Insonsa

E ele

Em tão poucos instantes de vida

Mostrou-me

Que eu tinha que crescer

E me inspirou

Para deixar de alimentar

A fera que eu própria nutri

Tão roliça e luzidia

Todos estes anos

Silenciando-me;

Tu queres-me

Para mandar em mim

Para me controlares

Nessa tua dissimulação

De boa alma

Tão perturbada e maligna interiormente…

Todos os instantes da minha vida

Humilhaste-me

Com a tua altivez  

De controlar

E formular a eito juízos morais

A tua pequenez

Não conhece limites

És tão previsível

Tão modorro

Um inqualificável mandrião

E como foi possível

Na hora em que firmei votos contigo

Que eu não visse

Tamanha parvidade

Numa mesma pessoa

Que tarda em compreender o seu papel atual na minha vida:

Nenhum!

 

 

 

 

 

 

Ó meu amor

Deixa que a paixão flua normalmente

Deixa corar esse manto

Coroado de estupidez

Na relva mais fresca próxima do rio

Para o purificar

Arranca sem hesitações

Foge dessa luminária

Desse inqualificável

Ladrão de almas

Que te enfraquece

Que tudo te roubou

Não queiras que te subtraia mais um quarto de século de vida

Foge dessa afrontosa nuvem negra

Que tapa esse sol

Que te devia tão bem iluminar

Deixa que as ondas desse mar

Limpem a areia dessa praia

Afastem as sujidades mais imundas

Mesmo que seja teu lixo

Que já não o queres  

Mas que ele teime

Em recicla-lo

Para to dar em doses cavalares,

Uma suave lembrança

Aflora ao meu corpo

Na hora em que vislumbro

Aquela espaço ajardinado

Repartido

Pelas águas serenas

De um velho riacho

Que divide o espaço

De um lado

O caramanchão dos amantes

A felicidade dos sabem amara

Do outro

A bestialidade de quem não sabe o que é o amor

E se esconde naquele matraquear

Permanente

De que é ridículo…

Mas,

Amor,

Ridículo

Mesmo

É achar que o amor

Não se exibe publicamente

Apenas nas frestas escuras

Das noites de intimidade

Onde até a luz se apaga

Para ser,

Enfim,

Mais casto o amor assim!    

 

Tourear “al alimón” é quando dois matadores lidam em simultâneo o touro com um único capote; há também um célebre discurso proferido a duas mãos, entre Lorca e Pablo Neruda, em homenagem a Ruben Dário, descrito por Pablo Neruda no livro "Confesso que Vivi".    

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